Locadora

•fevereiro 3, 2010 • 3 Comentários

Pois é, em dezembro eu recebi um convite pra trabalhar numa locadora. Não aquelas Blockbusters enormes de loja de conveniência, mas uma locadora de bairro e coisa e tal. Nos primeiros dias eu fui super empolgada né, “vou recomendar os filmes que eu acho foda e arrasar”, coisas do tipo. Mas não é bem assim.

Uma das primeiras coisas que eu aprendi foi que, inevitavelmente, a maioria das pessoas pertence ao grupo chamado “público pipocão”. Basicamente, aquele pessoal que busca entretenimento… e só. Não adianta indicar um filme do Woody Allen – eles simplesmente não vão gostar.

Fora isso, é fácil prever o comportamento de alguns clientes. Se não forem “clientes normais”, certamente se encaixam em um desses grupos:

1) Os “tios”:  São aqueles caras com mais de 50, solteiros, que são meio frustrados na vida amorosa e dão em cima das atendentes (da padaria, da papelaria, da locadora…). Normalmente tomam vários minutos do seu tempo contando casos ou falando detalhes de suas vidas cotidianas (que você não quer saber).

2) As Adolescentes: normalmente entram em grupos de três ou quatro e alugam um lançamento, uma comédia romântica despretensiosa ou o terror “que dá mais medo”.

3) O Descolado: esse é fácil de identificar. Está sempre com uma lata de cerveja na mão. Normalmente está de bermuda + regata + havaianas. Pega uns 5 filmes pra escolher, passa um tempão no balcão falando de coisas aleatórias, às vezes saca o telefone celular e liga pra namorada/esposa perguntando se ela já viu tal filme. (Tudo isso com a cerveja na mão)

4) Crianças: essas são até fáceis de lidar, porque elas não pedem recomendações de filme e não perguntam se você tem ele lá. Elas saem vasculhando a prateleira decididas e sempre acham o filme que querem, ou escolhem o que querem – e não mudam de idéia. E não adianta, elas sempre vão achar o Pica Pau e o Tico e Teco que ficam na prateleira de baixo. E eu me pergunto: o que esse Tico e Teco tem? O quê?

5) O Casal: Cena 1: ele escolhe, meio que com medo da namorada, o Dragon Ball Z, enquanto ela pede dicas de filmes românticos. Põe em cima do balcão, rezando pra atendente colocar o filme na sacola logo. Cena 2: Ele escolhe um filme de ação pra fazer raiva nela. Ela escolhe o romance mais meloso com o ator mais galã pra fazer raiva nele.

Não digo que é o emprego dos sonhos. Mas é ótimo poder ver dois filmes por dia, e de graça.

Do Começo ao Fim

•fevereiro 2, 2010 • Deixe um comentário

Esses dias assisti ao polêmico filme “Do começo ao Fim”. Confesso que tinha alimentado expectativas quanto ao mesmo – afinal, não é qualquer um que aborda homossexualidade e incesto ao mesmo tempo, não é? E também tinha visto o trailer e gostado. Mas sinto em dizer que achei o filme muito ruim.

O filme conta a história de dois irmãos – Francisco e Thomás – que sempre foram muito íntimos. Na infância um protegia e admirava o outro. No entanto é apenas após a morte da mãe que os dois, já adultos, resolvem assumir algo mais sério, por assim dizer.

Bom, quem vê pensa que a história pode render um bom filme. Até podia, se fosse bem trabalhada. Mas não foi.

Em primeiro lugar porque o filme não retrata a adolescência dos dois. Achei isso uma falha e tanto, visto que a adolescência é a fase de descobertas rumo a uma possível definição da sexualidade. Mas não tem nada disso no filme. A passagem da infância pra vida adulta é tão repentina que até eu assustei.

Em segundo lugar, eles não encontram nenhuma barreira pro “romance proibido” deles. Ninguém fala nada. A mãe pergunta o que está acontecendo, o mais velho responde que não há nada… E fica por isso mesmo. O pai de um deles diz que não consegue mais lidar com a situação, mas nada é feito, nada é questionado. Ninguém fora do círculo familiar deles critica (de qualquer jeito, que círculo? pelo que o filme mostra, parece que eles só têm um ao outro). A morte da mãe tira o que seria o maior obstáculo na relação dois dois, o pai de um deles também morre e o pai do outro some no meio do filme. A impressão que passa é a de que eles não têm amigos nem vida social.

Quanto ao resto… Musiquinhas melodramáticas a toda hora, cenário muito limpo, organizado e branco – parece até saído de uma novela das oito -, cenas inúteis e demoradas demais, diálogos superficiais… Sem contar que os dois possuem uma beleza invejável, dinheiro e uma vida estável…. É tudo muito bom, tudo muito lindo. Muita melação. Uma boa distração pra quem quer ver dois rapazes bonitos na tela, e nada além disso. Para aqueles que gostam de filmes mais agitados, intensos ou que fazem pensar: não assistam. Fica a dica.

30/10/09

•outubro 31, 2009 • 1 Comentário

Um dia para ficar na memória.

Teste de Personalidade

•setembro 5, 2009 • 1 Comentário
Advanced Global Personality Test Results

Extraversion |||||||||||||| 58%
Stability |||||||||||||||| 70%
Orderliness |||||||||||| 42%
Accommodation |||||||||| 38%
Interdependence |||||||||||| 43%
Intellectual |||||||||||||||| 62%
Mystical |||||||||||||||||| 76%
Artistic |||||||||||||||||||| 90%
Religious |||| 16%
Hedonism |||||||||||||||| 63%
Materialism |||||||||||||| 56%
Narcissism |||||||||||| 43%
Adventurousness |||||||||||| 50%
Work ethic |||||||||||||||| 70%
Humanitarian |||||||||||| 43%
Conflict seeking |||||||||||||| 56%
Need to dominate |||||||||||||||| 63%
Romantic |||||||||||| 50%
Avoidant |||||| 23%
Anti-authority |||||||||||| 43%
Wealth |||||||||||| 50%
Dependency |||||| 30%
Change averse |||||| 23%
Cautiousness |||||||||||| 50%
Individuality |||||||||||| 50%
Sexuality |||||||||||||||||| 76%
Peter pan complex |||| 16%
Family drive |||||||||||| 50%
Physical Fitness || %
Histrionic |||||| 30%
Paranoia |||||||||||||||| 63%
Vanity |||||||||||||||| 70%
Honor |||||||||||||||| 63%
Thriftiness |||||||||||||||| 70%

Take Free Advanced Global Personality Test
personality test by similarminds.com

Touro

•agosto 10, 2009 • 1 Comentário

Depois de muito apanhar, bater o pé, fazer pirraça e etc, aprendi: nunca mais me envolvo com gente comprometida. E quando eu falo comprometida eu não quero dizer aquele que tem aliança no dedo. Quero dizer aquele que namora, fica, enrola, é apaixonado, ama… outra pessoa. Não a mim.
Demorei pra entender que, não, essa pessoa nunca vai terminar seu relacionamento por minha causa. Não vai deixar de amar outra pessoa por minha causa. Pode até me ver todos os dias, mas lá no fundo, ainda deseja outra pessoa.
Não faz sentido em estar não estando. Confuso? Talvez. É que não gosto de ser a outra. Não gosto de ser qualquer uma, alguém que não faz diferença, o segundo plano, a reserva, a última opção…
Há algo de errado nisso?
Hoje percebo que não tenho um pingo de importância pras pessoas com quem imaginei que teria algo mais sério algum dia. Eu sou só mais uma coisinha verde no MSN, chamada em último caso, em casos de carência ou falta do que fazer. Alguém pra passar o tempo, mas nunca alguém para passar várias horas, durante várias semanas.
Será que é infantilidade minha querer alguém só pra chamar de meu? Deve ser.
Será que é infantilidade minha correr atrás de quem estou realmente interessada? Deve ser.
“Estou lotado de coisas pra fazer, mas quando der um tempo a gente se vê,sim.” Coisas do tipo. Já li montes.
Será infantilidade ficar triste ao receber uma resposta dessas? Deve ser. E é aí que me sinto a pessoa mais infantil e infeliz desse mundinho.
Pelo menos eu aprendi – se é que eu aprendi mesmo alguma coisa – a não me apaixonar tolamente. A verificar todo o território antes de “estacionar” meu touro. Sim, o touro, aquele que pisa muito na terra antes de permanecer nela. Aquele que faz cara feia quando um intruso se aproxima.Sim, eu faço cara feia. Muito feia, dá até medo. Mas que, pelo menos, passa a mensagem: o que é meu é meu. E ninguém tasca.

Estatísticas

•julho 28, 2009 • 4 Comentários

Uma vez recebi um email que falava da “nossa mente curiosa”. Um dos slides mandava o leitor pensar numa ferramenta e numa cor, rápido. A princípio me deu um branco e depois pensei num martelo vermelho. Mas aí pensei: “Oras, mas por que eu pensei num martelo vermelho? Poderia ser uma chave de fenda azul”. Só que aí me lembrei de que tinha que ser rápido e que eu estava perdendo tempo. “Ah, vai o martelo vermelho mesmo”. No outro slide, diziam que 98% da humanidade pensa num martelo vermelho. Só os outros 2% têm criatividade o suficiente pra pensar em algo diferente.

Agora eu não sei em qual dos grupos me encaixo.

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•julho 25, 2009 • 1 Comentário

s.

es.

mes.

úmes.

iúmes.

ciúmes.

iúmes.

úmes.

mes.

es.

s.

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Perguntinha de irmã

•julho 19, 2009 • 1 Comentário

- Ô Luh, a Kira casou?

- Casou não, Vivi. Por quê?

- Então como que ela vai ter filhotes?

- Aaaah… Casou sim, Vivi! Casou.

Luto

•junho 26, 2009 • Deixe um comentário

Pelo Michael Jackson.

Ok que eu e uma aminha estávamos zoando o fato do nariz dele poder cair a qualquer momento e fizemos até emoticon…

Mas até que eu gostava dele. Principalmente porque tinha tudo a ver com GTA Vice City (Billie Jean, Beat It, Thriller… <3).

E hoje estava eu no Soulseek quando percebo que quase todas as músicas que estavam sendo puxadas eram dele:

http://yfrog.com/8dmichaelij

;-;

Tião

•junho 17, 2009 • 2 Comentários

Tião era um cara legal. Era bom aluno, bom filho e bom aluno. Estudante do 3º ano do Ensino Médio, era conhecido por seus colegas por ser amigo de todos e apaziguador de brigas. Todos o achavam inteligente, mas em sua opinião ele não tinha nada de excepcional. Estudar, dizia ele, era uma coisa fácil. Só que ninguém acreditava. Na verdade, ninguém ao menos tentava sentar pra estudar, é claro.
Pertencia à sala 3M2. O colégio era dividido em 7 salas, e todos acreditavam que entre elas havia uma relação pacífica e que trazia vantagens a todos. (obviamente, ninguém sabia o que se falava em nenhuma das outras salas.) Enfim, era tudo tão falsamente pacífico que Tião nunca imaginaria o conflito que causaria.
Tudo começou quando fecharam o portão de acesso à escadaria, e Tião foi o único que permaneceu na parte de cima. Todos o acharam genial por causa disso. De lá ele viu dois colegas discutindo, e então começou a falar pros estudantes serem legais uns com os outros, pra variar. Começaram os primeiros “aêê!!” e ele se empolgou. Fez um discurso em voz alta pra quem quisesse ouvir sobre os males do colégio e o que todos deviam fazer para serem alunos melhores. Todos ficaram maravilhados. Quando o barulho já estava demais, a coordenadora chamou o Tião para sua sala. Ele deixou para trás um caderno e uma apostila.
Os alunos acharam que seria uma ótima idéia se seguissem os ensinamentos que Tião tinha deixado para trás, mesmo que neles não houvesse nada demais. Os que decidiram seguir ao pé da letra as recomendações do caderno se uniram, formando o grupo dos cadernistas. Os que ficaram com a apostila se denominaram apostanos.
Até aí, tudo muito bom. Os cadernistas eram mais radicais. Quem pertencia ao grupo seguia as instruções do caderno à risca, e achava os apostanos muito liberais. Os cadernistas não podiam estudar nas últimas sextas-feiras do mês e nos dias importantes para Tião sequer pegavam no caderno.
Os apostanos tinham uma organização de estudo diferente dos cadernistas, e, uma vez por mês, tinham que ir à biblioteca – o lugar preferido do Tião. Usavam uniformes mais apertados, e todo apostano tinha que ir á biblioteca pelo menos uma vez no ensino médio.
Havia outros grupos além dos cadernistas e dos apostanos. Os escadanos acreditavam que um dia haveria um aluno mais talentoso que Tião. Os sagueus eram aqueles que não ouviram o que Tião tinha dito, logo não acreditavam nele.
Diante da disputa por seguidores, os cadernistas da 3M2 se reuniram e decidiram modificar o caderno. Aquilo que eles achavam que desviaria os alunos do caderno,retiraram. Usavam do medo para conseguir mais alunos. Aqueles que ousassem tocar numa apostila eram punidos severamente. Tinham que comunicar para o representante da 3M2, para não tomarem bomba arrependidos. Alguns cadernistas começaram a cobrar por uma carteira ao lado de Tião. Estes decidiram fundar um novo grupo – os cadernistas universais da escola de Tião.
Por outro lado, os apostenses iam bem. Os cadernistas, evidentemente, não se sentiam bem com aquilo. Estudantes negligentes como os apostanos não podiam se dar bem na vida escolar. Travaram uma disputa entre si que duraria anos. Os escadanos preferiram não ficar de nenhum dos lados, por isso foram condenados pelos cadernistas também.
Durante anos, os cadernistas dominaram o colégio. Tião se formou, e tudo que ele deixara para trás – um pedaço de papel, uma anotação, um risco qualquer – passou a ser comercializado em troca de colas nas provas. Formou-se um núcleo de comerciantes no colégio. Era contra as regras cadernistas tal comércio, mas eles não proibiam. A cola que recebiam e a garantia de serem representantes de turma falava mais alto.
Os cadernistas universais cobravam para liberar o acesso à parte do caderno que possuíam. Se disseminaram rapidamente, pois prometiam gabaritos de provas importantes, e todos os seus seguidores acreditavam – mesmo que nunca desse certo. No final, o que os alunos acreditavam era que iriam bem em provas sem fazer esforço.
O pequeno grupo de alunos cadernistas que não eram universais e ainda achavam os cadernistas liberais demais formou outro – passaram a ser os cadernistas triangulares, porque todos aquelas funções trigonométricas deviam significar alguma coisa. Tinham regras rígidas, e acreditavam que só eles passariam de ano, mesmo que não soubessem o que era preciso fazer para tal.
Entre bombas e aprovações, o conflito se intensificava. Os cadernistas começaram a se armar com cadernos para 15 matérias. Os apostanos tinham armas mais potentes – enciclopédias, livros de 800 páginas. Andavam nos corredores se encarando. O andar de cima era predominantemente cadernista, o de baixo, apostano. Sagueus eram mal vistos por ambos. Surgiram, do lado dos apostanos, os alunos bomba – aqueles que tomavam bomba no primeiro ano do ensino médio e decidiam se vingar invadindo o andar cadernista com enciclopédias escondidas. Enquanto isso, o grupo cadernista se polarizava no andar de cima. No andar de baixo, os apostanos lutavam pelas últimas folhas amareladas da apostila. Sagueus, indiferentes, achavam uma certa graça naquilo tudo.
Os conflitos continuam. O medo de tomar bomba, também. Os seguidores do caderno continuam se afastando uns dos outros, em grupos isolados, cada qual com seu ensinamento. No meio de tantas tensões, apenas alguns alunos entendem que Tião era um aluno como outro qualquer, e o que ele fazia, qualquer um pode fazer. Mas a grande maioria do Ensino Médio continua com os mesmos pensamentos.
Ainda bem que isso só acontece em um colégio, não é?